[Resenha] Eleanor & Park, de Rainbow Rowell

by - segunda-feira, julho 17, 2017


A leitura deste livro veio aleatoriamente quando eu e mais dois amigos resolvemos ler algo juntos, eu o escolhi porque já estava na minha lista de leitura há bastante tempo, me apaixonei à primeira vista pela capa e pela sinopse, e me apaixonei mais ainda nas primeiras páginas de Eleanor & Park.




Título: Eleanor & Park.
 Autor(a): Rainbow Rowell.
 Gênero: Romance jovem adulto.
 Editora: Novo Século.
 Lançamento: 2014.
 Páginas: 328.
 Compare & Compre: SaraivaSubmarinoCultura.
 Classificação: 5/5

Sinopse: Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

Difícil dizer pra vocês o que eu esperava desse livro, só sei que me surpreendi com o quanto ele me prendeu do início ao fim, o li em 3 dias e não consegui ficar quieta até saber qual seria o desfecho. A história é intensa. Eleanor & Park são intensos, mas não somente eles, tudo em volta deles. Esperava um final diferente e, apenas depois de ter terminado o livro, procurei comentários à respeito da obra na internet e vi várias vezes o quanto o fim do enredo era decepcionante. No momento em que terminei de fato foi, mas depois que parei pra pensar é um final tão intenso quanto eles dois, e chega a dar falta de ar (isso é real) as últimas frases da história.

"Não existem príncipes encantados, pensou ela. Não existem finais felizes. Ela olhou para Park. Dentro dos olhos verdes dele. Você salvou minha vida, ela tentou dizer. Não para sempre, não definitivamente. Provavelmente, só por certo tempo. Mas salvou minha vida, e agora eu sou sua. O que sou agora é seu. Para sempre."

Eleanor tem uma vida difícil, uma família difícil. Seu padrasto é terrivelmente maldoso, sua mãe completamente submissa a ele e seus irmãos indo no mesmo caminho. Como se não bastasse, ela acaba de entrar na escola do bairro e é alvo de olhares tortos e insultos vindos dos valentões do lugar, tudo por ela não ser da "forma correta" que uma garota deveria ser. Em meio a suas sardas e cachos avermelhados ela tenta não ser percebida, o que para ela parecia ser impossível e a cada brincadeira de mal gosto ela sentia-se cada vez mais inapropriada para o mundo.

Park não é nenhum mocinho padrão, filho de mãe coreana e pai americano, é citado inúmeras vezes como o mestiço, vezes lindo outras vezes idiota. Este carrega consigo uma necessidade de se encontrar, sente-se como se não pertencesse a lugar nenhum. Apesar disso ele consegue se encaixar o bastante na escola para não ser incomodado ou se meter em problemas. Sua família, em especial seu pai, bombardeiam o garoto de expectativas que ele não consegue suprir e, por isso, inibe mais ainda sua vontade de encontra-se. Park é um geek assíduo, amante de quadrinhos e músicas gritantes, morador do seu mundo particular, onde ninguém o incomoda e ele não incomoda ninguém. Até conhecer Eleanor.

Eleanor e Park são tão distantes e ao mesmo tempo isso vai fazer com que eles se precisem tanto. Por um sopro do destino eles vão sentar-se lado a lado a caminho da escola e, em meio a trocas de músicas e gibis, vão reconhecendo um no outro a pessoa que iria mudar completamente a vida deles.

A história parece se passar nos anos 80/90 e apesar disso pode ser tida como os dias de hoje. Além de um romance nem um pouco clichê, se pode ver dramas adolescentes que eu mesma vivi, como bullying, inseguranças com o corpo, primeiro amor, primeiro beijo, problemas familiares (alguns deles bastante sérios), dentre muitas outras coisas. Inicialmente vemos dois personagens praticamente opostos e que jamais se aproximariam na vida real, mas no decorrer da história vamos conhecendo mais a fundo cada um e podemos perceber o quanto, na verdade, eles são parecidos e como um ajuda o outro a superar suas próprias frustrações. 

As músicas, os gibis e a amizade de Park são razões para Eleanor querer levantar todas as manhãs, tornam-se incentivos para que ela supere todos os problemas que rodeiam sua vida. Já para Park, Eleanor passa a lhe mostrar o quanto ele precisa se abrir para ser de fato feliz, que a opinião dos outros não importa tanto assim. O mais bonito da história é isso, não só o amor entre os dois, mas o quanto eles são porto seguro um para o outro, um escape e uma solução para os problemas da vida, e não somente como casal, como amigos também. 

"Não gosto de você, Park. Eu acho que vivo por você. Acho que nem respiro quando não estamos juntos."

É tão lindo e emocionante ver o relacionamento dos dois acontecer, existe entre eles muito além de amor, existe lealdade, paixão, amizade e cumplicidade. A gente vive junto com eles cada cena, desde o primeiro toque de mãos aos beijos no Impala, tudo com muita verdade e sentimento, de uma forma que eu (juro pra vocês) achei que fosse impossível colocar em palavras. Apesar de todas as diferenças entre os dois, inseguranças com o corpo, com a própria personalidade, cada um encontra no outro todos os dias algo novo a que amar, e não vou mentir pra vocês, eu me sentia abraçada no coração toda cena que eles estavam juntos.

Bom, acho que deixei bem claro o quanto me apaixonei por esse enredo, não é? E eu acho muito difícil que você não se apaixone e se apegue a esses personagens também. Foi o primeiro livro que leio da Rainbow Rowell e eu não vejo a hora de ler mais livros dela, achei sua escrita incrível, contagiante e fluida, do jeitinho que eu amo. Me contem se ficaram curiosos para ler, e se já leram, o que acharam!

Um beijo,
Ju

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